quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Parlamento Europeu condena atentados contra cristãos

Parlamento Europeu condena atentados contra cristãos
Entidade condicionará as ajudas aos países ao respeito das liberdades religiosas

ESTRASBURGO, terça-feira, 20 de novembro de 2007 (ZENIT.org).- Com uma resolução aprovada em 15 de novembro passado, o Parlamento Europeu condenou os recentes atentados contra comunidades cristãs e pediu aos Governos dos países implicados que tutelem os direitos de todos os cidadãos e combatam os atos de discriminação e intolerância. Também condicionará suas ajudas aos países ao respeito a esta liberdade fundamental.

O texto da resolução sobre os «Graves episódios que comprometem a existência das comunidades cristãs e de outras comunidades religiosas» foi proposto pelo Partido Popular Europeu (PPE) e conseguiu um acordo, após longas negociações, com os grupos Partido Socialista Europeu, a Aliança dos Liberais Democratas Europeus (coalizão ALDE), a União pela Europa das Nações (UEN), e Esquerda Unitária Européia (GUE).

O documento cita casos concretos de intimidações, seqüestros e assassinatos que aconteceram no Iraque, assaltos e igrejas cristãs, o assassinato de um bispo protestante e a bomba contra uma escola dirigida por missionários no Paquistão; o assassinato do dono de uma livraria cristã em Gaza e o assassinato de dois jovens coptos no Egito.

Também deplora o seqüestro nas Filipinas do Pe. Giancarlo Bossi, condena o assassinato do jornalista Hrant Dink, do sacerdote Andrea Santoro, e de três cristãos na editora Zirve, na Turquia.

Sublinha também a gravidade da situação da liberdade de expressão na China, com as detenções de fiéis e bispos católicos; põe o acento nas perseguições atuais no Sudão, e evoca a «forte repressão» contra a Igreja Católica no Vietnã, contra as comunidades dos ‘montgnard’ (cristãos do altiplano) e contra outras religiões.

Em algumas declarações enviadas à Zenit, Mario Mauro, vice-presidente do Parlamento Europeu e principal promotor da resolução, afirma que «a liberdade religiosa é o elemento-chave para revelar o respeito de todas as outras liberdades e direitos humanos».

«A perseguição dos cristãos no mundo – acrescenta – é um dos maiores desafios contemporâneos à dignidade da pessoa.»

«Por este motivo, pela primeira vez em sua história, o Parlamento expressou uma ‘forte condenação’ de ‘todos os atos de violência contra as comunidades cristãs, onde quer que se dêem’ e pede aos governos implicados de que entreguem à justiça quem se mancha com tais crimes», acrescenta.

«Como testifica o assassinato em Gaza de Rami Khader Ayyad, estas são só as pontas de processos mais longos e soterrados que se estão dando na Palestina, no Líbano e em outras áreas da região, onde as comunidades cristãs, obrigadas à marginalização, vão se reduzindo até correr o risco de sua extinção», explica o parlamentar europeu.

Na resolução, expressa-se preocupação pelo êxodo dos cristãos no Iraque e se sublinha o fato de que «em 2006, cerca de 24% dos 38.000 iraquianos registrados pelo Alto Comissionado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) na Síria, eram cristãos, e de que a grande parte dos desalojados internos no Iraque – que são mais de dois milhões – pertence a minorias cristãs dirigidas em sua maior parte para Nínive».

O documento recorda também que a União Européia «se expressou repetidas vezes em favor dos direitos das comunidades religiosas e da proteção de sua identidade, em qualquer parte do mundo, assim como em favor do reconhecimento e da proteção das minorias religiosas, sem distinções».

Preocupado pelo multiplicar-se de episódios de intolerância e de repressão contra as comunidades cristãs na África, Ásia e Oriente Médio, o Parlamento Europeu reafirma a defesa «dos princípios de liberdade de pensamento, de consciência, de religião e de livre culto».

Sublinha-se portanto «a laicidade do Estado e de suas instituições públicas» e lhes recorda o dever «de garantir tais liberdades, compreendida a de mudar de religião».

A resolução sustenta depois «a importância do diálogo entre religiões para promover a paz e a compreensão entre os povos» e chama os líderes religiosos ao compromisso de opor-se aos «extremismos e promover o respeito recíproco».

Deste modo, o Parlamento Europeu volta a sustentar «com convicção todas as iniciativas de promoção do diálogo e respeito recíproco entre as religiões» e convida «todas as autoridades religiosas a promover a tolerância e a assumir iniciativas contra o ódio, a radicalização violenta e o extremismo».

«Graças ao voto – comenta Mario Mauro –, de agora em diante a Comissão Européia deverá prestar uma maior atenção a que cada elaboração e implementação de programas de cooperação e ajuda ao desenvolvimento se conceda só se respeitar o princípio de uma verdadeira liberdade religiosa.»

«A Europa, sempre em primeira fila na defesa dos direitos das minorias, não pode continuar ignorando o crescente extermínio de tantos cristãos», acrescenta.

«Hoje, o Parlamento Europeu deu um grande sinal de disponibilidade política e cultural, desmarcando-se desse integrismo laicista do qual a Europa é cada vez mais freqüentemente acusada», conclui.
Transcrito do boletim ZP071120 da agência Zenit.org

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